top of page

Será que você está confundindo o peso da idade com o peso do estresse?

  • Foto do escritor: Val Ritis
    Val Ritis
  • 19 de jan.
  • 4 min de leitura

Tenho um amigo de longa data com quem trabalhei no passado. Com sorte, mantivemos a amizade até hoje, e na semana passada conseguimos sair para jantar e colocar o papo em dia.

Em algum momento da conversa ele soltou, com um sorriso meio cansado:

“Eu acho que estou começando a sentir o peso da idade…”

Eu perguntei o porquê.

Ele disse que não era tanto físico, era mental. Que a agilidade, o foco e a memória já não eram os mesmos.


Confesso que estranhei. Ele é mais novo que eu (estamos na casa dos 50). E eu me peguei comparando… minha mente é rápida, consigo manter o foco e minha memória de curto e longo prazo me parece normal.

Foi aí que me veio um flash de três anos atrás.

Eu estava vivendo um nível de estresse altíssimo e comecei a ter lapsos de memória desesperadores. Eu estava no meio de uma conversa e, de repente, o fio da meada sumia. No meio da frase, eu esquecia completamente onde eu estava indo. Era assustador.

Na época, achei que algo estivesse errado com a minha saúde física. Mas o diagnóstico era outro: estresse crônico.


E então eu fiz a pergunta-chave para ele:

“Você acha que o estresse pode estar afetando sua capacidade mental e cognitiva?”

Ele parou por um instante. Pensou. E acenou com a cabeça, em silêncio.


E agora vem a pergunta provocativa pra você:

Você consegue perceber o quanto o estresse pode estar interferindo no seu trabalho, nas suas relações, na sua capacidade de tomar decisões, e até na sua habilidade de enxergar o poder dentro de você?

Porque aqui vai um ponto que quase ninguém quer encarar: às vezes a gente chama de “idade”… aquilo que é sobrecarga. A gente chama de “falta de foco”… aquilo que é sistema nervoso em modo sobrevivência. A gente chama de “memória ruim”… aquilo que é cansaço acumulado + tensão crônica.


Se você está se sentindo tomado pelo estresse, aqui vão 10 dicas simples para começar a virar o jogo:


1. Pare de discutir com o sintoma e trate a causa (sobrecarga). Antes de tentar “melhorar sua mente”, pergunte: o que está pesado demais na minha rotina e eu estou normalizando? Escolha 1 coisa para reduzir esta semana (um compromisso, um padrão de agradar, uma exigência irreal).


2. Regule seu corpo por 3 minutos, 2 vezes ao dia. O cérebro funciona melhor quando o corpo sai do “alarme”. Pare e respire: inspire pelo nariz por 4 segundos, segure por 4 segundos e solte o ar por 6–8 segundos, Repita por 3 minutos. Simples assim. Isso muda o estado interno mais do que “força de vontade”.


3. Pratique a Micro-Presença. Não espere as férias para descansar. Crie janelas de “presença real” de 5 minutos durante o dia. Sem celular, sem metas. Apenas você habitando o seu corpo. Isso ajuda a reativar as áreas do cérebro responsáveis pela clareza e tomada de decisão.


4. Diferencie o "Sinal" do "Ruído"

O estresse crônico cria um ruído mental constante que abafa a sua intuição. Aprenda a distinguir o que é uma urgência real (sinal) do que é apenas a ansiedade do seu sabotador (ruído). Quando uma demanda surgir, pergunte-se: "Isso é vital agora ou é apenas a minha necessidade de controle/perfeccionismo falando mais alto?"


5. Higiene de Dados e Estímulos

O nosso cérebro não foi projetado para processar o volume de informação que consumimos hoje. Se você já está estressado, o excesso de telas "sequestra" sua energia cognitiva. Experimente uma dieta de informação: estabeleça um horário para desligar o celular (pelo menos 1 hora antes de dormir) para permitir que o seu cérebro faça a "limpeza" necessária durante o sono.


6. Nomeie o que você está sentindo

A ciência mostra que dar nome às emoções diminui a atividade da amígdala (o centro do medo no cérebro). Quando o estresse bater, em vez de dizer "estou mal", tente ser específico: "estou me sentindo sobrecarregado" ou "estou me sentindo invisível". Essa clareza ajuda você a sair do modo reativo e voltar para o lugar de observador.


7. O Poder do "Não" Estratégico

Cada "sim" que você diz por medo de desagradar ou por obrigação é um "não" que você diz para a sua saúde mental. O estresse muitas vezes é o resultado de fronteiras mal estabelecidas. Praticar o "não" é um exercício de proteção da sua agilidade mental. Se você não protege seu tempo, não consegue proteger seu foco.


8. Movimento Consciente (Não apenas exercício)

Não precisa ser uma hora de academia. Quando sentir que a mente "travou", levante-se, espreguice-se ou caminhe por dois minutos prestando atenção na sola dos pés tocando o chão. Esse movimento tira a energia acumulada da cabeça e a distribui pelo corpo, quebrando o ciclo de congelamento do estresse.


9. Revise suas "Regras Silenciosas"

Muitas vezes o estresse vem de regras que impomos a nós mesmos: "Eu preciso responder e-mails na hora", "Eu não posso errar". Identifique qual regra está gerando mais tensão hoje e questione a validade dela. Você descobrirá que muitas dessas regras são "programações" antigas que não servem mais para quem você é hoje.


10. Celebre as Pequenas Vitórias de Presença

Nosso cérebro tem um viés de negatividade que foca no que deu errado. Para reverter o estresse, você precisa "treinar" seu foco para notar o que está funcionando. Ao final do dia, anote três momentos em que você conseguiu estar presente ou em que teve o comando das suas reações. Isso fortalece o caminho neural da autogovernança.


Governança emocional é um treino diário:

"Retomar o comando da sua mente não acontece do dia para a noite. É um processo de gentilmente retirar as camadas de sobrecarga que fomos acumulando e acreditar que o nosso estado natural é de clareza e poder, não de caos. Comece pequeno, mas comece hoje."

Gestão Emocional, Estresse Crônico, Saúde Mental no Trabalho, Memória e Foco, Autogovernança.


 
 
 

Comentários


CONTATO

Obrigada por sua mensagem!

  • LinkedIn

©2024 Valéria Ritis por Abner Simões .

bottom of page